![]() |
Reportagem Revista Expressão setembro/2005
Pânico sobre controle
"Isso é algo que não desejo nem para meu pior inimigo." Essa é uma
expressão muito usada por quem já foi vítima - ou ainda é - da
Síndrome ou Transtorno de Pânico.
O TP ( Transtorno do Pânico ) é um quadro clínico no qual ocorrem
crises agudas de ansiedade sem que haja um estímulo disparador
compatível com a intensidade das crises.
O indivíduo vive uma variedade de experiências intensas,
desprazerosas e estranhas para ele sem que consiga identificar, em
princípio, o que as desencadeou. O quadro clínico teve sua
incidência aumentada dramaticamente nos últimos dez anos. Esse
aumento pode ser atribuído a modificações socioculturais e a maior
possibilidade diagnóstica nos tempos modernos.
O termo pânico foi inspirado na mitologia grega. Pâ, símbolo do
universo e personificação da natureza, era o deus dos arvoredos e
dos campos, e vagava pelos bosques e montanhas. Inventor da avena,
tocava-a magistralmente, mas possuía uma aparência desagradável.
Como habitava as florestas, era temido por aqueles que, em suas
andanças, atravessavam as matas ou campos à noite pois o breu e a
solidão predispunham a temores supersticiosos. Portanto, medos
súbitos, sem causa aparente, eram atribuídos a Pã e conhecidos como
terror, pânico ou simplesmente pânico.
De acordo com o médico neuroanatomista e neuropsicobiologista da USP
de Ribeirão Preto, Norberto Cysne Coimbra, os relatos médicos do
transtorno do pânico começaram antes do século XIX, "mas, naquele
tempo, as fobias e a ansiedade eram associadas a causas físicas, não
havendo a concepção de uma doença psiquiátrica", ainda, segundo
ele, a agorafobia ( medo de se expor a ambientes abertos, em geral
àqueles em que o paciente já apresentou algum ataque de pânico ) foi
descrita por Karl Westphal em 1872. O médico informa que o primeiro
emprego da palavra pânico ( pânico melancólico ) em psiquiatria foi
feito por Henry Maudsley, mas somente no final do século XIX os
sintomas de ansiedade foram caracterizados dentro da psiquiatria,
como ciência independente.
As crises são recorrentes e podem agravar-se com o tempo, levando o
paciente a enclausurar-se em seu domicílio, tornando-se
completamente dependente de seus familiares.
A Síndrome do Pânico tem sua maior incidência entre pacientes dos
18 aos 40 anos. Pode surgir mais frequentemente em indivíduos que
tenham algum familiar que apresente o quadro. "Há casos que
sugerem alguma transmissão hereditária do transtorno do pânico,
devido a certa prevalência familiar, mas ele também tem sido
diagnosticado em pacientes sem nenhuma história familiar pregressa
desse transtorno", explica o médico. Observa-se frequência acima da
média de casos de prolapso da válvula mitral entre indivíduos que
apresentam esse distúrbio. "O prolapso da válvula mitral pode ser
uma condição associada, mas não impossibilita o diagnóstico de
distúrbio de pânico", diz Norberto.
![]() |